Sessões da Conferência

A ASC Brasil 2026 é organizada em torno de sete sessões temáticas, cada uma conduzida por proponentes que irão orientar as conversas em seu respectivo campo. Os participantes são convidados a submeter contribuições alinhadas às questões e aos formatos da sessão escolhida.

Sessão 1: Confluências Viáveis — 100 Anos de Stafford Beer em Conversa com a América Latina

Organizada pela Metaphorum (Allenna Leonard, Jon Walker, Angela Espinosa, Pedro Pablo Cardoso, Camilo Osejo, Ayham Fattoum, Stephen Harwood, Juliana Mariano Alves)

Celebrando o centenário do nascimento de Stafford Beer, esta trilha explora como sua visão de liberdade, viabilidade e autonomia continua a ressoar nas experiências latino-americanas de transformação social, ecológica e institucional. A trilha convida os participantes a examinar como a cibernética de Beer se articula com a confluência enquanto amplificação mútua, na qual correntes diversas se fortalecem sem assimilação. Por meio de apresentações em pôster, discussões participativas em formato de marketplace e uma demonstração de Syntegration, os participantes irão explorar questões de governança, complexidade e o desenho de instituições viáveis em diferentes contextos culturais e territoriais.

Palavras-chave: Stafford Beer, Cibernética Organizacional, Metaphorum, Modelo de Sistema Viável, Team Syntegrity, Confluência


Sessão 2: Design Pluriversal Mais-que-Humano

Organizada por Annan Zuo (University of Oxford), Claudia Westermann (Curtin University), Frederick Steier (University of South Florida)

Em muitos mundos culturais, o ato de projetar é um processo coletivo que emerge de relações recíprocas entre humanos, animais, plantas, paisagens, materiais e espíritos. A partir de referenciais de design pluriversal e mais-que-humano, esta trilha explora como a cibernética pode participar de processos de construção de mundos ao se engajar com ontologias nas quais a agência é distribuída e seres mais-que-humanos são co-criadores de sistemas vivos. Convidamos contribuições que demonstrem como cosmologias alternativas e práticas relacionais informam projetos de design sistêmico e ecológico em diferentes escalas — de artefatos e instalações à arquitetura e às paisagens.

Os apresentadores são convidados a falar a partir de, narrar ou performar as perspectivas de agentes mais-que-humanos, apresentando seus trabalhos por meio dos mundos-da-vida, das capacidades sensoriais e das características comunicativas dos seres mais-que-humanos escolhidos. Isso pode incluir, por exemplo, articular práticas de manejo florestal amazônico a partir do ponto de vista de uma harpia ou reimaginar a recuperação da paisagem Satoyama pela voz de um cipreste. Ao conectar performatividade, saberes situados e sintonias multiespécies, esta trilha busca revelar ontologias relacionais compartilhadas presentes em práticas de design mais-que-humano interculturais, ao mesmo tempo em que celebra suas cosmologias distintas.

Aceitamos artigos, performances, artefatos, narrativas e especulações em design. Participantes que necessitem de uma publicação aceita por razões de financiamento devem, idealmente, entrar em contato com as coordenações da trilha para discutir opções e prazos de publicação antes de submeter um resumo.

Palavras-chave: Pluriverso, Mais-que-Humano, Design, Performatividade, Sintonia Multiespécies

Sessão 3: Matérias Híbridas

Organizada por Graziele Lautenschlaeger (USTP Áustria), Merve Keskin (University of Salzburg), Thibaud Chassin (University of Graz)

Com a sessão Matérias Híbridas, buscamos justapor princípios cibernéticos a referenciais teóricos contemporâneos do pós-humanismo e do novo materialismo, desdobrando e articulando práticas material-discursivas que abordam, por exemplo, o conceito de natureculture (2003) de Donna Haraway (1944–) e o realismo agencial (2012) de Karen Barad (1956–). As conversas e atividades guiadas propõem a desconstrução de dicotomias que empobrecem os debates e simplificam nossa compreensão do mundo, imaginando uma influência circular, contínua e mútua entre elementos orgânicos e maquínicos.

Por meio da jardinagem híbrida como ponto de encontro para discutir a convergência biodigital, o jardim opera tanto como um laboratório experiencial quanto como uma metáfora para explorar sistemas híbridos que integram dimensões biológicas, digitais e culturais. Os participantes são convidados a se engajar em mapeamentos participativos, no co-design de um jardim híbrido, na prototipagem com plantas e sensores e na documentação coletiva, materializando conversas por meio do fazer e explorando como materialidades híbridas moldam novos modelos de coexistência e de troca cibernética. Incentivamos não apenas a submissão de resumos de pesquisa, mas também de projetos conceituais.

Palavras-chave: Matérias Híbridas, Naturezacultura, Convergência Biodigital, Jardim, Gêmeo Digital


Sessão 4: Futuríveis — Ἀκυβέρνητος (Akybérnētos): Ecologias em Deriva como Cosmologias

Organizada por Clarissa Ribeiro (USP, Brasil), Victoria Vesna (UCLA, Estados Unidos), Jill Scott (ZhdK, Suíça), Claudia Jacques (Technoetic Arts Journal, Reino Unido), Rewa Wright (QUT, Austrália), Tania Fraga (UnB, Brasil), Rejane Spitz (PUC-Rio, Brasil)

A partir do conceito de “futuríveis” de Roy Ascott, esta sessão explora futuros que emergem não do controle, mas da deriva — mundos compostos por encontros sincréticos, eventos randômicos e ecologias multiespécies ruidosas. O termo grego Ἀκυβέρνητος (não guiado / não governado) enquadra estados sistêmicos nos quais a condução se dissolve, tratando a deriva como um terreno fértil para novos modos de atenção e resposta. Por meio de demonstrações ao vivo, instalações e de um “Laboratório Akybérnētos”, os participantes irão coexplorar sistemas baseados em ruído, operações de acaso e metodologias sincréticas que ressoam com práticas cosmopolíticas indígenas, nas quais os mundos são forjados relacionalmente.

Palavras-chave: Cibernética, Futuríveis, Ecologias Indígenas como Cosmologias, Ruído, Deriva, Sincretismo, Artes Tecnoéticas


Sessão 5: Confluências Emaranhadas — Projetando Futuros Relacionais a partir da Sabedoria Indígena, da Teoria Quântica e da Reflexividade da IA

Organizada por R. Eva King e Frederick Steier (Fielding Graduate University)

Esta sessão promove um diálogo vivo entre três domínios: a relacionalidade indígena enraizada na terra, o pensamento sistêmico quântico e a reflexividade da IA, tratando-os como afluentes de um mesmo rio de produção sistêmica de sentido. Por meio de palestras provocativas e oficinas interativas (incluindo o “Shadow Conversations Lab”, que explora a IA e a dependência do observador, e o “Confluence Mapping”, que visualiza ontologias plurais), os participantes irão investigar como diferentes modos de conhecer podem coexistir sem colapsar na mesmidade. A sessão tem como eixo a amplificação mútua, examinando como designers de sistemas podem trabalhar com o sentido emergente, a responsabilização relacional e lógicas não binárias.

Aceitamos artigos, provocações ou outras propostas que iniciem conversas para explorar essas ideias de forma mais aprofundada e coletiva.

Palavras-chave: Relacionalidade Indígena, Pensamento Sistêmico Quântico, Reflexividade da IA, Emaranhamento, Design


Sessão 6: Cartografias em Disputa — Mapeamento como Prática de Tornar-se Recursivo, Grupo de Trabalho em Arte, Mídia e Cibernética, American Society for Cybernetics

Organizada pelo Grupo de Trabalho em Arte, Mídia e Cibernética da American Society for Cybernetics

Reformulando o enunciado de Korzybski — “o mapa não é o território” —, esta sessão propõe a cartografia como uma metodologia coconstitutiva, relacional, recursiva e reflexiva, que transcende a mera representação. Indo além das práticas convencionais de mapeamento de cima para baixo, que mantêm distância e desapego, a trilha explora formas de mapear ancoradas na intimidade, e não na vigilância; na conversa recíproca, e não na observação unilateral.

Por meio de apresentações de artigos, performances, diálogos, oficinas e instalações, os participantes irão se engajar com o mapeamento não como algo separado do mundo, mas como algo entrelaçado ao seu próprio desdobramento, revelando como diferentes modelos iluminam diferentes aspectos da realidade, ao mesmo tempo em que reconhecem a pluralidade.

Palavras-chave: Território, Cartografia, Modelo, Reflexividade, Pluralidade


Sessão 7: Confluência Conversacional — Epistemologias Operativas: a Segunda Ordem como Saída da Hegemonia Algorítmica

Organizada por Arantzazu Saratxaga (Aix-Marseille Université)

Em um momento em que a inteligência artificial estrutura de forma crescente os processos sociais, esta trilha abre perspectivas epistemológicas alternativas que operam para além de visões influenciadas por algoritmos. No centro da proposta está a tese de que romper com reivindicações hegemônicas de verdade e com estruturas de poder epistêmico exige a observação da observação, um princípio de segunda ordem que questiona os próprios fundamentos epistemológicos da construção da realidade. Os participantes trabalharão conjuntamente no desafio de desenvolver “epistemologias operativas”, isto é, epistemologias cibernéticas, que rompam com a hegemonia algorítmica. Com base no construtivismo radical, na cibernética de segunda ordem e em teorias operativas, a trilha oferece um contraponto pluralista, dialógico e reflexivo aos sistemas de IA que afirmam ver, conhecer e resolver tudo. Serão examinadas crenças centrais que sustentam a posição hegemônica da IA, tais como: observação versus representação, determinismo algorítmico versus auto-organização generativa, caixa-preta versus transparência, comunicação versus controle e autorreflexividade versus automação.

Palavras-chave: IA, Epistemologias, Segunda Ordem


Sessão 8: Confluências Ciber-Sistêmicas — Reunindo os Dispersos, Reorientando os Distraídos

Organizada por José dos Santos Cabral Filho, Sandro Luis Schlindwein, Mateus Stralen

A partir da percepção de Vilém Flusser de que o desafio da cultura tecnológica contemporânea é reunir o que está disperso e reorientar o que se encontra distraído, esta trilha propõe uma investigação sobre tradições do pensamento ciber-sistêmico. Busca confluências entendidas como processos de refinamento da atenção, cultivo de encontros inesperados, exploração de possibilidades de modelagem e avanço em direção à ação sob condições de incerteza e complexidade.

Em vez de abordar a tecnologia como um aparato de controle restritivo ou de resolução estrita de problemas, a trilha convida os participantes a engajar práticas ciber-sistêmicas como uma forma de tocar o desconhecido: acolhendo os problemas antes de tentar resolvê-los, por meio de modos de sintonia que permanecem com aquilo que resiste à compreensão imediata. Central para a trilha é o cultivo de diálogos reflexivos — encontros com outros, humanos e outros-que-humanos, nos quais perturbações mútuas se tornam oportunidades de aprendizagem e transformação.

A compreensão pode emergir por meio de modelagens sutis e provisórias das intrincadas relações, em vez de representações fechadas e inequívocas. A ação é abordada pela lógica de fazer e desfazer nós: engajar restrições de modo topológico, e não instrumental, sem reinstaurar um controle totalizante, reconhecendo quando desfazer — ou mesmo não agir — pode constituir, por si só, uma resposta cibernética.

As contribuições são incentivadas a abordar confluências ciber-sistêmicas como processos vivos que reúnem a atenção e reorientam agências distraídas, mantendo em jogo a incerteza, a pluralidade e a reflexividade. A trilha acolhe propostas que não se alinhem prontamente às orientações temáticas das demais trilhas. Essas propostas podem assumir a forma de artigos, trabalhos artísticos, experimentos performativos ou práticas especulativas que operem entre disciplinas e escalas, bem como contribuições mais diretamente vinculadas às tradições do pensamento sistêmico.

Palavras-chave: Pensamento Ciber-Sistêmico, Cibernética de Segunda Ordem, Vilém Flusser, Arte e Tecnologia, Diálogo Reflexivo, Modelagem, Atenção, Controle